As únicas diferenças favoráveis em não estar matriculado e possuir um R.A – Registro do Aluno - é a questão financeira, que já não é mais tão apertada, e o fato de se sentir vivo, pois não terás mais que sair do serviço, ir para a faculdade, brigar com alguém da família, dormir e sonhar com nota baixa ou demissão por justa causa - você dormia no banheiro da empresa devido ao cansaço. De resto, a faculdade era, é e sempre será um paraíso – para quem sabe aproveitar de tudo, é claro.
Nos primeiros semestres, um grande “bum”. Você pensa que é o rei, e que pode abraçar o planeta com os próprios braços. Acha super-bacana, super-descolado, maneiro a beça, supimpa ter o poder de largar o professor falando na sala de aula e descer para o bar. Descobre que pode transar no banheiro de cadeirantes. Na escola isso jamais aconteceria. “Uhuulll... Sou foda, sou avassalador!” - é o que você pensa.
Quando vem a primeira DP, os primeiros 10% a mais no boleto, é feita uma análise um pouco mais criteriosa sobre o fato de largar aquele professor falando em frente ao tablado. A angustia em sair da sala, conhecer pessoas, pegar geral e sair carregado do bar, porém, é enorme. Mas você sabe, tem certeza, de que aquilo pode o levar para a bosta. Mas, mesmo assim, insiste. Afinal, que universitário nunca esteve na bosta? Legal. Pega mais algumas DP’s, sai carregado algumas vezes do bar, pega algumas garotas e conclui que realmente aquela é a hora de parar com “putaria”.
Do terceiro semestre em diante os professores começam a cagar e andar ainda mais pelo aluno. “Quer, quer. Não quer, suma” – esse é o pensamente daquele que ensina.”.
A questão não é querer. É precisar. Daí é que a chapa esquenta. Este mesmo professor que você precisa é o mesmo que foi trocado pelo bar, deixado a sós na sala, no início do curso.
O mestre tem que estar convencido de seu interesse. Tens que provar a ele que está com boas intenções. Provar é demonstrar. Não invente de puxar saco, pagar pau, sentar na primeira fila, dar presente, etc.
Quem tem a cabeça minimamente no lugar trata de cuidar um pouco mais das notas, beber um pouco menos (ir ao bar a partir de quarta-feira nunca mais) e cumprir um pouco mais os prazos estipulados pelos professores, que, quando convencidos, não sentirá mais tanta repugnância daqueles “botequeiros” do passado.
Ele se convence, acredita no aluno. Mas, como bons e experientes professores, não perdem a mania de tentar acabar com a saúde física e mental do bicho-grilo sentado na carteira.
Trabalho atrás de trabalho. Prova atrás de prova. Tarefa atrás de tarefa. E você segue cambaleando e insistindo. Afinal, se formar naquele curso é um de seus sonhos.
Ultimo ano e vem o pensamento: “Caralho, sou foda mesmo. Faltam somente dois semestres”. Sinto em dizer. Se o professor aturou sua presença até aquele momento é sinal de que você é um grandessíssimo filho da puta, e ele vai querer se vingar.
TCC. Isso foi inventado para os professores vingativos poderem aliviar suas amarguras. É como um remédio letal. Ele aplica o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) nos alunos, que se anulam de qualquer manifestação ocorrida fora da faculdade e/ou do tema de seu trabalho. O TCC gera gasto financeiro de energia, de humor, de tempo e de saúde, dentre outros.
Buscando uma melhor qualidade de vida e uma bom relacionamento com seus colegas do grupo, os mesmos alunos que perderam a moral com os professores por causa do bar, que quase desistiram da faculdade por causa do bar e que pagaram DP’s por causa do bar, hoje recorrem à ele – o grande e milagrosos boteco – para sentirem seus pés no chão e concluírem honrosamente seus cursos de graduação.
Concluído. Diplomado. Feliz. Empolgado. Deve-se comemorar. Bar.
Por Arilton Batista







