sexta-feira, 29 de julho de 2011

Faculdade e suas peripécias

Parece clichê. E é. Mas faculdade faz falta - e muita - em todos os sentidos.
As únicas diferenças favoráveis em não estar matriculado e possuir um R.A – Registro do Aluno - é a questão financeira, que já não é mais tão apertada, e o fato de se sentir vivo, pois não terás mais que sair do serviço, ir para a faculdade, brigar com alguém da família, dormir e sonhar com nota baixa ou demissão por justa causa - você dormia no banheiro da empresa devido ao cansaço. De resto, a faculdade era, é e sempre será um paraíso – para quem sabe aproveitar de tudo, é claro.
Nos primeiros semestres, um grande “bum”. Você pensa que é o rei, e que pode abraçar o planeta com os próprios braços. Acha super-bacana, super-descolado, maneiro a beça, supimpa ter o poder de largar o professor falando na sala de aula e descer para o bar. Descobre que pode transar no banheiro de cadeirantes. Na escola isso jamais aconteceria. “Uhuulll... Sou foda, sou avassalador!” - é o que você pensa.
Quando vem a primeira DP, os primeiros 10% a mais no boleto, é feita uma análise um pouco mais criteriosa sobre o fato de largar aquele professor falando em frente ao tablado. A angustia em sair da sala, conhecer pessoas, pegar geral e sair carregado do bar, porém, é enorme. Mas você sabe, tem certeza, de que aquilo pode o levar para a bosta. Mas, mesmo assim, insiste. Afinal, que universitário nunca esteve na bosta? Legal. Pega mais algumas DP’s, sai carregado algumas vezes do bar, pega algumas garotas e conclui que realmente aquela é a hora de parar com “putaria”.
Do terceiro semestre em diante os professores começam a cagar e andar ainda mais pelo aluno. “Quer, quer. Não quer, suma” – esse é o pensamente daquele que ensina.”.
A questão não é querer. É precisar. Daí é que a chapa esquenta. Este mesmo professor que você precisa é o mesmo que foi trocado pelo bar, deixado a sós na sala, no início do curso.
O mestre tem que estar convencido de seu interesse. Tens que provar a ele que está com boas intenções. Provar é demonstrar. Não invente de puxar saco, pagar pau, sentar na primeira fila, dar presente, etc.
Quem tem a cabeça minimamente no lugar trata de cuidar um pouco mais das notas, beber um pouco menos (ir ao bar a partir de quarta-feira nunca mais) e cumprir um pouco mais os prazos estipulados pelos professores, que, quando convencidos, não sentirá mais tanta repugnância daqueles “botequeiros” do passado.
Ele se convence, acredita no aluno. Mas, como bons e experientes professores, não perdem a mania de tentar acabar com a saúde física e mental do bicho-grilo sentado na carteira.
Trabalho atrás de trabalho. Prova atrás de prova. Tarefa atrás de tarefa. E você segue cambaleando e insistindo. Afinal, se formar naquele curso é um de seus sonhos.
Ultimo ano e vem o pensamento: “Caralho, sou foda mesmo. Faltam somente dois semestres”. Sinto em dizer. Se o professor aturou sua presença até aquele momento é sinal de que você é um grandessíssimo filho da puta, e ele vai querer se vingar.
TCC. Isso foi inventado para os professores vingativos poderem aliviar suas amarguras. É como um remédio letal. Ele aplica o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) nos alunos, que se anulam de qualquer manifestação ocorrida fora da faculdade e/ou do tema de seu trabalho. O TCC gera gasto financeiro de energia, de humor, de tempo e de saúde, dentre outros.
Buscando uma melhor qualidade de vida e uma bom relacionamento com seus colegas do grupo, os mesmos alunos que perderam a moral com os professores por causa do bar, que quase desistiram da faculdade por causa do bar e que pagaram DP’s por causa do bar, hoje recorrem à ele – o grande e milagrosos boteco – para sentirem seus pés no chão e concluírem honrosamente seus cursos de graduação.
Concluído. Diplomado. Feliz. Empolgado. Deve-se comemorar. Bar.






Por Arilton Batista

terça-feira, 29 de março de 2011

Educadamente, Japão se reconstrói

    Numa escala que vai de zero a dez, ele alcançou o nove. Chegou próximo ao ápice. Veio em formato de devastação e com fisionomia de tragédia. Nem sequer deu pistas de sua intensidade. Apenas disse: “Estou chegando”.
    Para alguns religiosos, o mundo estava por findar-se. Para os cientistas, apenas uma manifestação da natureza.
    O dia 11 de março de 2011 ficará marcado na vida de todos os japoneses, assim como 11 de setembro de 2001 marcou para os norte-americanos.
    O país acostumado com os freqüentes terremotos se viu em situação desesperadora. Edifícios em chamas, aeroporto fechado, ruas e avenidas bloqueadas pelo excesso de lama, veículos boiando e sendo arrastados pelo mar, que invadiu as vias de tráfego. Medo. O tsunami alcançou 10 metros de altura.
    A natureza nunca havia se manifestado de forma tão intensa e devastadora na história do Japão. Foi o sétimo pior terremoto registrado desde a existência do planeta terra.
    Na última semana, foram contabilizadas mais de 9.800 mortes e cerca de 17.000 desaparecidos por decorrências da catástrofe.
    Por conta do tsunami, também foram registradas explosões em prédios dos reatores da usina de Fukushima, formando uma fumaça radioativa. Água e alguns alimentos podem ter sidos contaminados, por isso há racionamento e limite de compras nos supermercados. O combustível também é limitado.
    Tendo em vista todas essas ocorrências, pode-se concluir que o Japão, assim como sua população, esteja, de fato, em crise e em desespero. Talvez crise. Mas o desespero, aquele que causa a falta de educação e o desrespeito, dificilmente se instalará no país que já se reergueu e superou um bombardeamento nuclear - durante a segunda guerra, os Estados Unidos (nação que hoje se esforça para ajudar os japoneses) atingiram as cidades de Hiroshima e Nagasaki, matando cerca de 220 mil.
    Em solidariedade, muito países, cidades, organizações e empresas estão fazendo campanhas de apoio ao Japão, doando alimentos, água, roupas e dinheiro.
    Para receber estes mantimentos ou conseguir acesso aos produtos à venda nas lojas, supermercados e postos de combustíveis, a população se organiza em filas, o que demonstra a educação, organização e poder de reconstrução dos japoneses. Eles estão unidos em prol do país, do povo.
    E mesmo o Japão demonstrando, desde sempre, ser uma fortaleza, dificilmente se vê um japonês se gabando por isso.
    Lá, o respeito pelo próximo é prioridade.



Por Arilton Batista

quarta-feira, 9 de março de 2011

A culpa não é do carnaval

    Basta chegar o carnaval para aparecer uma pancada de críticos e cientistas sociais dando as caras na TV e, nos últimos anos, também na internet . A festa mais popular do Brasil, que representa a nossa música - o samba -, é, por muitos, discriminada e deixada de lado.
    Os 'críticos e cientistas sociais de época' costumam dizer em seus discursos que o Brasil, que é um país em desenvolvimento e que sofre com os mais diversos problemas sociais - saúde, segurança, emprego, etc -, gasta milhões com o carnaval, tendo em vista os valores das fantasias, produção dos carros alegóricos, além da ocupação de ambulâncias, hospitais e ônibus da rede pública com o foliões e com as escolas de samba.
    Que o Brasil sofre com todos estes problemas citados a grande maioria sabe. Que o Brasil está em forte processo evolutivo alguns sabem e outros desconfiam. Mas o que se tem de tentar absorver nesta época do ano é que a NOSSA festa tradicional existe e tem de ser aproveitada ao máximo. Afinal, não é culpa do carnaval que tem gente em condições precárias de moradia, que tem gente doente, desempregada ou que o sistema público de saúde não funciona às mil maravilhas.
    Independente da existência do carnaval, o sistema, como um todo, tem que sofrer mudanças e continuar em evolução, e o mais rápido possível.
    O carnaval gera aglomeração, e isso exige que haja um número maior de ambulâncias. No carnaval as pessoas bebem mais, acarretando em um número maior de violência urbana - existente em todo o mundo, por algo que se chama SER HUMANO -, o que faz com que o Estado providencie mais viaturas policias. É um ciclo. Mas não é essa força-tarefa que faz com que a sociedade deixe de ser atendida nos 'dias comuns', sem carnaval.
Na Europa e no norte da América também acontecem festas típicas, e lá também existem problemas sociais, políticos.
    Uma das diferenças mais garrafais entre eles e nós, brasileiros, é o amor e a gratidão pelo país. Muitos, aqui no Brasil, nascem, crescem, trabalham, se casam, SAMBAM e 'se jogam' para o exterior, onde é tudo azul-bebê e cor-de-rosa.
    Simbora, Brasil. Tâmo junto!



Por Arilton Batista

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Efeitos do futebol moderno

O futebol, num contexto geral, assim como a maioria dos esportes, vem sofrendo grandes mudanças. Os estádios estão sendo adaptados e ampliados, dia a dia nasce um novo clube, o marketing esportivo tem ficado mais forte, tradicionais clubes brasileiros mudam repentinamente as cores de seus uniformes, os ingressos estão ficando mais caros, e por aí vai.

Nos tempos em que o futebol era MENOS FRESCURENTO, Veloso, Raí, Neto, Dinei, Müller, Edmundo, Romário, Cafú, Rivaldo, por exemplo, não deixavam de usar a camisa por dentro do calção durante os jogos de suas equipes, para não serem punidos com cartão amarelo. Não era uma coisa agradável e nem bonita – pode ter certeza –, mas aquilo se fazia necessário, e os jogadores não viam a necessidade de aparecer mais que o clube. O respeito pela camisa era maior que a vaidade particular de cada atleta.
Robinho, Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Alexandre Pato, Cristiano Ronaldo e mais alguns, antes de entrarem em campo, ajeitam o meião acima da linha do joelho e levantam a gola da camisa, que também é retirada do calção. O motivo é, certamente, a mais pura necessidade de exposição na grande mídia. Estar mais bonito e moderno é quase mais importante que ser mais “jogadô”.

Santos, Corinthians, São Paulo, Flamengo, Vasco, Internacional? Não. Red Bull e Olé Brasil. Essa é a moda. Times comandados por empresário têm crescido em grande escala nesta era, a do “modernismo no futebol”. Jogadores e comissão técnica que NUNCA vão torcer para aquele determinado time. O único objetivo é adquirir lucro financeiro. Venda e aquisição de jogadores, que passam a servir como meras moedas de negócio. O sonho das crianças em se tornarem jogadores de futebol está quase extinto. O novo “sonho infantil” é ser rico e ter status. Para isso, precisam jogar em algum clube – seja ele qual for; até de empresário.

Marketing Esportivo. Essa é a nova expressão no meio do futebol moderno. Empresas de artigos esportivos – chuteiras, camisas, tênis, bonés – usam a força da emoção do verdadeiro torcedor para fazer com que ele adquira o produto de determinada marca, relacionando, por exemplo, a marca e o jogador patrocinado por ela. Bons exemplos são: Kaká e Adidas; Ronaldo e Nike.
A grande explosão das chuteiras “FAMÍLIA RESTART” – roxa, rosa, verde, azul, vermelha – se dá por conta justamente do tal do marketing esportivo. Tente imaginar o jogador Bebeto, na Copa do Mundo de 1994, entrando em campo com uma chuteira cor de rosa ou roxa.
Além de usar o sentimento dos amantes de futebol para vender produtos, o mundo moderno da bola tem afetado diretamente a história e a tradição de muitos clubes. Poucos – para não dizer ninguém – imaginavam que o tradicional Corinthians, por exemplo, usaria uma camiseta roxa, assim como não enxergavam o Palmeiras com um uniforme verde-limão.

O ápice do futebol sempre foi a marcação de um gol, que, hoje, quando comemorado de maneira livre, pode levar o autor a receber uma punição do arbitro.
Paulo Nunes, que se destacou no Palmeiras e no Grêmio, comemorava usando máscaras, imitando mascotes das equipes adversárias (porco, gavião). Edmundo, que marcou sua carreira defendendo o Palmeiras e o Vasco, não era diferente, e sempre inovava nas comemorações.
Escalar o alambrado e tirar a camiseta após marcar o gol era de praxe. A maioria dos atletas fazia. Hoje é PROIBIDO. Tirou a camiseta, tomou amarelo. Provocar a torcida rival pode render até uma suspensão pelo STJD - Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Daqui a pouco a exigência será: “Após a marcação de um gol, chore de tristeza”.

Sorte de quem viu o verdadeiro estádio do maracanã, pois ele está em reforma para receber jogos da Copa do Mundo 2014. E essa é a tendência – tornar os estádios cada vez mais impessoais. Não demora muito e as arquibancadas estarão almofadadas, para que as pessoas possam ficar sentadas, sem festejar.
Nos estádios paulistas, por conta de um confronto entre Mancha Verde e Torcida Independente, em 1996, durante a final da Copa São Paulo de Futebol Junior, realizada do estádio do Pacaembu, não é mais permitida a entrada de bandeiras com hastes, sinalizadores e papel picado, o que, com certeza, inibi a festa nas “bancadas”, que já não é mais como antes por conta do preço do ingresso, que sobe ano a ano, excluindo parte da sociedade de participar de eventos relacionados co futebol.
Estes são alguns dos efeitos do futebol moderno, das caras e bocas, do marketing, do lucro, do dinheiro. Evoluir é essencial. Fato. Mas é preciso, também, valorizar as raízes do futebol, além do sentimento absoluto do ser humano pelo esporte que tem a cara as cores do nosso país.


Por Arilton Batista

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Errar não é humano. É zagueiro.

    A imagem é de um homem forte, imponente e brigador. Um ser inviolável e "sangue nos olhos". O zagueiro é a fortaleza da equipe dentro de campo. Sim, ele é a fortaleza. Até peidar e se dar conta que pesou. Depois disso ele é esquecido por todos. Os torcedores o vaiam, criticam. Isso quando não o bloqueiam nas redes sociais - o que mais graves no dias de hoje.
    Juan, ex-zagueiro da seleção brasileira e atleta da Roma, da Itália, praticamente entregou o jogo diante da Sampdoria, ontem, dia 09, pelo Campeonato Italiano. A Roma vencia por 1 a 0 quando o brasileiro tentou fazer um recuo para o goleiro Julio Sérgio - ex-Santos -, mas esqueceu de colocar força na bola. Palombo alcançou a bola, tentou o drible e foi derrubado pelo arqueiro. Pozzi bateu e empatou a partida.
    A virada também teve como marca registrada uma falha do zagueiro brasileiro. Uma bola alçada na área pelo lado direito foi mal rifada pelo defensor. Guberti não perdoou e fez. Final: Sampdoria 2, Roma 1.
    Com tantas glórias e conquistas, o "super-zagueiro" foi muito criticado por conta de suas duas falhas em uma só partida. Pensando por outro lado, se o goleiro tivesse defendido o pênalti e Guberti não tivesse convertido em gol, virando o jogo, ambos os jogadores "desperdissadores de gols" não seriam lembrados tanto quanto o "super-zagueiro" que falhou.
NOSSA REALIDADE. O jogo era um rachão do Família Penha de França. Tomáz, o técnico do time, estava em férias. O intuito era mesmo uma diversão. Uma diversão em que ninguém queria sair derrotado. Normal. Assim é o futebol.
    Alguns vieram direto da balada, outros direto da cama e outros passaram em casa só para não dizerem que vieram direto da balada - isso amenisa o psicológico, mas o resultado é o mesmo: você é doido de estar na beira de um campo de várzea àquela hora da manhã vindo diretamente da noite.
UMA JOGADA, UMA FALHA. O jogo seguia empatado com gols (não me recordo exatamente o resultado). Uma bola veio recuada para mim. Eu estava na entrada área. Estava tudo controlado, legalzinho. E eu resolvi inovar. Nada pode ser tão perfeito assim. Em vez de tocar, resolvi dar um tremendo estourão para frente, daqueles que os jogadores gritam "Beeemmmmm, time!". ERREI. Lasquei o dedão bola, que bateu no menino que nunca jogou futebol de campo, quicou na frente do goleiro e entrou. A culpa? Ah, claro, foi minha. Mas e a quantidade de gols perdidos lá na frente? E os capotes que sofri para conseguir tirar para escateio? Põe na conta de quem?
    Puta mundo injusto, viu!

PS.: É brincadeira, pessoal. Realmente foi muita cabacisse da minha parte. Sorte minha que era apenas um rachão. O texto só serve para "frexionarmos" sobre as diferenças - óbvias e naturais no esporte - existentes entre os jogadores de defesa e os de ataque. Valeu, rápa!


Por Arilton Batista

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ironia do futebol

Meia Igor se acha forte arranja briga
duas vezes num só dia
    O futebol, além de ser uma caixinha de surpresas, é irônico. Durante a partida do último sábado (04/12) do Família Penha França, contra os amigos do Alemão, no Jaú, houve uma pequena confusão. Um princípio de "caralho, fodeu".
    Gordão, um dos atacantes reservas do time da casa, que entrou na segunda etapa da partida, dominou a bola de frente com um zagueiro adversário, que tinha certamente mais de 2 metros de altura, cujo soco poderia derrubar mais ou menos quatro times de futebol de campo. Durante o lance, Gordão ficou parado com a bola debaixo do pé, enquanto pensava "puts, e agora? Toco, chuto, driblo ou peço para sair?".
    O zagueiro, vendo tamanho desespero do atacante, soltou, sarcasticamente: "Faz o gol, cuzão". Gordou ouviu e obedeceu. Cortou de lado e chutou no canto. Sem chances para o goleiro. Ou melhor, com chances. Mas ele era ruim. Se não me engano, já era o sexto ou o sétimo gol do Família, contra zero dos amigos do Alemão.
    Para comemorar o gol e desabafar sobre o desaforo dito pelo zagueiro ao atacante, Igor, um dos meias do time laranja e preto, correu em direção ao Gordão, o abraçou e gritou bem alto, para que todos pudessem ouvir: "Chuuupa, porra!"
    Depois disso, certamente todos os jogadores do Família pensaram e viram a morte diante dos olhos. Igor tem pouco mais 1 metro e 30 centímetros. O zagueiro adversário tem pouco menos de 2 metros e 50 centímetros. "Filho da puta. Cuzão. Arrombado. 'Chupa' não, porra. Tá pensando o quê. Viado". Essas foram algumas das coisas ditas pelo 'gigante' adversário enquanto andava em direção à Igor, que ainda comemorava o gol e xingava o zagueiro com a voz tremula. Na verdade ele estava com o cu na mão. Mas queria não demonstrar. Todos estávamos com o cu na mão. Mas o que podíamos fazer? Como nossa morte já era certa, resolvemos tentar apaziguar a situação conversando como 'monstro de camisa número 4'.
    Mas ele era do bem. Acatou as poucas ideias dos nossos jogadores e desistiu do "BRUTALITY".
A IRÔNIA - Mais tarde, na FPFS (Federação Paulista de Futebol de Salão), durante a partida entre Sesi e Corinthians, em que nossa torcida era a favor do Sesi, o mesmo Igor foi um dos que perderam a linha com a vitória corintiana e, mais ainda, com o grito vindo do jogador que marcou o gol da virada alvinegra. "CHUUUPA", disse o atleta, olhando para a arquibancada. Igor, eu e Luís - já sob efeito de cerca de 10.000 litro de cerveja - descemos os degraus da arquibancada, nos debruçamos no parapeito e xingamos o jogador, a mãe dele, o pai e as irmãs, além de, aproveitando a situação, xingarmos o juiz e sua família por completa.
    No fim da partida, já fora do ginásio, um torcedor do Corinthians pediu para Igor acender um rojão para ele.
    "Não vou emprestar meu isqueiro para você comemorar a vitória contra meu time", disse o 'pequeno'.
DEU MERDA - Por fim, quase fomos atingidos por bexigas d'agua, tentamos arranjar confusão e fomos expulsos pelos senhores policiais da Tropa de Choque.
    "Eu posso atacar bomba, dar tiro. Quer que eu 'taque' bomba?", disse um dos 'tiras' à mim.
    Colocamos os rabos dentre as pernas e saímos de fininho, para não terminarmos o dia sendo bombardeados e tomando tiro de 'puliça'.
 
 
Por Arilton Batista

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Família Penha de França

É sempre a mesma desculpa. Primeiro vamos jogar uma partida de futebol entre amigos, no campo do Jaú, e depois damos uma "passadinha" no bar do baiano, pra tomar uma cerveja. A passadinha quase sempre termina após 16h, quando migramos dali para algum outro local, onde também nos ensopamos de puro malte gelado e engarrafado.
O papo também é o mesmo: futebol. Na maioria das vezes é sobre o próprio jogo que acabamos de fazer. Ou melhor, que fizemos há cerca de 6h.
Quando estamos no bar, bebendo, aceitamos ficar no banco de reservas nos jogos, aceitamos o fato de o seu amigo ter errado um passe de dois metros e aceitamos até as tentativas frustradas, feitas por algum jogador de meio campo, de dar chapéus e rolinhos no campo de defesa. No bar tudo é bonito, tudo está certo e os defeitos são facilmente perdoados.
Entre os jogadores do Família Penha de França nunca faltará assunto, porque todos certamente participaram de mais de uma jogada durante a partida. Afinal, quase todos os jogos acabam 8 a 7; 7 a 5; 9x4. Com resultados como estes, é bem provável que até a comissão técnica tenha participado de alguma jogada.
E o Família está chegando, sobretudo, com muito amor, raça e comprometimento. Que o laranja, branco e preto de nosso manto se perpetue pela eternidade. Ah, e que o Baiano complete o freezer para a próxima semana!



Por Arilton Batista