terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Efeitos do futebol moderno

O futebol, num contexto geral, assim como a maioria dos esportes, vem sofrendo grandes mudanças. Os estádios estão sendo adaptados e ampliados, dia a dia nasce um novo clube, o marketing esportivo tem ficado mais forte, tradicionais clubes brasileiros mudam repentinamente as cores de seus uniformes, os ingressos estão ficando mais caros, e por aí vai.

Nos tempos em que o futebol era MENOS FRESCURENTO, Veloso, Raí, Neto, Dinei, Müller, Edmundo, Romário, Cafú, Rivaldo, por exemplo, não deixavam de usar a camisa por dentro do calção durante os jogos de suas equipes, para não serem punidos com cartão amarelo. Não era uma coisa agradável e nem bonita – pode ter certeza –, mas aquilo se fazia necessário, e os jogadores não viam a necessidade de aparecer mais que o clube. O respeito pela camisa era maior que a vaidade particular de cada atleta.
Robinho, Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Alexandre Pato, Cristiano Ronaldo e mais alguns, antes de entrarem em campo, ajeitam o meião acima da linha do joelho e levantam a gola da camisa, que também é retirada do calção. O motivo é, certamente, a mais pura necessidade de exposição na grande mídia. Estar mais bonito e moderno é quase mais importante que ser mais “jogadô”.

Santos, Corinthians, São Paulo, Flamengo, Vasco, Internacional? Não. Red Bull e Olé Brasil. Essa é a moda. Times comandados por empresário têm crescido em grande escala nesta era, a do “modernismo no futebol”. Jogadores e comissão técnica que NUNCA vão torcer para aquele determinado time. O único objetivo é adquirir lucro financeiro. Venda e aquisição de jogadores, que passam a servir como meras moedas de negócio. O sonho das crianças em se tornarem jogadores de futebol está quase extinto. O novo “sonho infantil” é ser rico e ter status. Para isso, precisam jogar em algum clube – seja ele qual for; até de empresário.

Marketing Esportivo. Essa é a nova expressão no meio do futebol moderno. Empresas de artigos esportivos – chuteiras, camisas, tênis, bonés – usam a força da emoção do verdadeiro torcedor para fazer com que ele adquira o produto de determinada marca, relacionando, por exemplo, a marca e o jogador patrocinado por ela. Bons exemplos são: Kaká e Adidas; Ronaldo e Nike.
A grande explosão das chuteiras “FAMÍLIA RESTART” – roxa, rosa, verde, azul, vermelha – se dá por conta justamente do tal do marketing esportivo. Tente imaginar o jogador Bebeto, na Copa do Mundo de 1994, entrando em campo com uma chuteira cor de rosa ou roxa.
Além de usar o sentimento dos amantes de futebol para vender produtos, o mundo moderno da bola tem afetado diretamente a história e a tradição de muitos clubes. Poucos – para não dizer ninguém – imaginavam que o tradicional Corinthians, por exemplo, usaria uma camiseta roxa, assim como não enxergavam o Palmeiras com um uniforme verde-limão.

O ápice do futebol sempre foi a marcação de um gol, que, hoje, quando comemorado de maneira livre, pode levar o autor a receber uma punição do arbitro.
Paulo Nunes, que se destacou no Palmeiras e no Grêmio, comemorava usando máscaras, imitando mascotes das equipes adversárias (porco, gavião). Edmundo, que marcou sua carreira defendendo o Palmeiras e o Vasco, não era diferente, e sempre inovava nas comemorações.
Escalar o alambrado e tirar a camiseta após marcar o gol era de praxe. A maioria dos atletas fazia. Hoje é PROIBIDO. Tirou a camiseta, tomou amarelo. Provocar a torcida rival pode render até uma suspensão pelo STJD - Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Daqui a pouco a exigência será: “Após a marcação de um gol, chore de tristeza”.

Sorte de quem viu o verdadeiro estádio do maracanã, pois ele está em reforma para receber jogos da Copa do Mundo 2014. E essa é a tendência – tornar os estádios cada vez mais impessoais. Não demora muito e as arquibancadas estarão almofadadas, para que as pessoas possam ficar sentadas, sem festejar.
Nos estádios paulistas, por conta de um confronto entre Mancha Verde e Torcida Independente, em 1996, durante a final da Copa São Paulo de Futebol Junior, realizada do estádio do Pacaembu, não é mais permitida a entrada de bandeiras com hastes, sinalizadores e papel picado, o que, com certeza, inibi a festa nas “bancadas”, que já não é mais como antes por conta do preço do ingresso, que sobe ano a ano, excluindo parte da sociedade de participar de eventos relacionados co futebol.
Estes são alguns dos efeitos do futebol moderno, das caras e bocas, do marketing, do lucro, do dinheiro. Evoluir é essencial. Fato. Mas é preciso, também, valorizar as raízes do futebol, além do sentimento absoluto do ser humano pelo esporte que tem a cara as cores do nosso país.


Por Arilton Batista

1 comentários:

  1. u.u

    concordo!!

    futebol tá cheio de frescura hoje em dia

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